A relação de um arquiteto designer de
mente fraca e inseguro com um homem de pensamento forte e cheio de si não
terminou bem. Um choque de opostos. Até onde a lei de uso e ocupação do solo, o
bom senso e a política da boa vizinhança interferem em uma reforma
arquitetônica mesmo que em pequena escala? Cada uma à sua maneira. Bom senso é
imprescindível em qualquer situação. A lei, em teoria, deve ser seguida de
forma total pois ela existe, dentre outros motivos, para igualar os direitos e
deveres de cada cidadão em uma mesma localidade. E por fim, a política da boa
vizinhança se resume na própria relação que não aconteceu entre eles, ou
aconteceu, se considerarmos de uma parte apenas.
Abrir uma janela com vista para a casa
do vizinho é um problema, abrir uma janela com vista para a casa do vizinho que
foi projetada por Le Corbusier são dois problemas, e ainda, abrir uma
janela com vista para a casa do vizinho projetada por Le Corbusier e que
seja de propriedade de pessoas individualistas são três problemas. O filme vai
muito além da arquitetura em si, nos instigando a pensar também em toda a
psicologia que está por trás da mesma, principalmente quando há mais pessoas
envolvidas.
Os principais problemas, isoladamente,
remetem ao que hoje acontece com muita frequência, certas reformas feitas sem
supervisão técnica e por isso irregulares, que quando realizadas em uma casa
autoral fortalece ainda mais o caos. Casas como essa, a única obra de Le Corbusier
feita na América, são de
grande notoriedade turística, o que ao mesmo tempo se torna negativo por seu conceito
de projeto ultrapassar medidas básicas de segurança e a tal janela criada ultrapassar
os limites básicos de privacidade.
Reforma irregular, conceito acima de segurança
e invasão de privacidade são comuns quando se trata de “arquitetura”. Transtornos
que atingem toda a população, seja abastada ou não. As favelas, projetos que
precisem de alarmes a favor da segurança e projetos que não respeitem a lei ou
ao próximo por um bem próprio são exemplos do hoje. Ao priorizar a estética ou o erro em seus extremos,
necessariamente o uso ficará prejudicado de alguma forma, e a resolução entre
os conflitos, por sua vez, é uma das maiores tarefas do arquiteto ao projetar
uma obra não deficiente.
Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP
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