sexta-feira, 23 de junho de 2017

Análise O homem ao lado - Rem Koolhaas



     A relação de um arquiteto designer de mente fraca e inseguro com um homem de pensamento forte e cheio de si não terminou bem. Um choque de opostos. Até onde a lei de uso e ocupação do solo, o bom senso e a política da boa vizinhança interferem em uma reforma arquitetônica mesmo que em pequena escala? Cada uma à sua maneira. Bom senso é imprescindível em qualquer situação. A lei, em teoria, deve ser seguida de forma total pois ela existe, dentre outros motivos, para igualar os direitos e deveres de cada cidadão em uma mesma localidade. E por fim, a política da boa vizinhança se resume na própria relação que não aconteceu entre eles, ou aconteceu, se considerarmos de uma parte apenas.
     Abrir uma janela com vista para a casa do vizinho é um problema, abrir uma janela com vista para a casa do vizinho que foi projetada por Le Corbusier são dois problemas, e ainda, abrir uma janela com vista para a casa do vizinho projetada por Le Corbusier e que seja de propriedade de pessoas individualistas são três problemas. O filme vai muito além da arquitetura em si, nos instigando a pensar também em toda a psicologia que está por trás da mesma, principalmente quando há mais pessoas envolvidas.
     Os principais problemas, isoladamente, remetem ao que hoje acontece com muita frequência, certas reformas feitas sem supervisão técnica e por isso irregulares, que quando realizadas em uma casa autoral fortalece ainda mais o caos. Casas como essa, a única obra de Le Corbusier feita na América, são de grande notoriedade turística, o que ao mesmo tempo se torna negativo por seu conceito de projeto ultrapassar medidas básicas de segurança e a tal janela criada ultrapassar os limites básicos de privacidade.
     Reforma irregular, conceito acima de segurança e invasão de privacidade são comuns quando se trata de “arquitetura”. Transtornos que atingem toda a população, seja abastada ou não. As favelas, projetos que precisem de alarmes a favor da segurança e projetos que não respeitem a lei ou ao próximo por um bem próprio são exemplos do hoje. Ao priorizar a estética ou o erro em seus extremos, necessariamente o uso ficará prejudicado de alguma forma, e a resolução entre os conflitos, por sua vez, é uma das maiores tarefas do arquiteto ao projetar uma obra não deficiente. 



Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP


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