segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Arquitetura para "Alta Costura e Alta Cultura" e "Sobre um pobre homem rico"

     Conforme evidenciado na atualidade e nos textos referidos, palavras como alta costura e alta cultura tornaram-se sinônimos de arquitetura de alto escalão, para "ricos", termo este que se relaciona apenas a questão financeira. Portanto, o que na moda hoje é chamado de alta costura é, da mesma forma, alta cultura e consequentemente arquitetura de alto escalão, um significado leva ao outro, visto que as pessoas das quais usufrem da moda de alta costura, usufruem pois possuem alta cultura, como a arquitetura, quem possui alta cultura faz jus a arquitetura "rica", necessitado-a. Apesar de que padrões como estes deveriam não mais existirem ou serem ultrapassados, não são.
     Dentro deste âmbito, é possível perceber como tem poder simbólico para a sociedade alguns adereços, sejam de moda ou arquitetura, os associam a uma arte segregadora, e a mesma, a somente aquela da qual podem colocar um preço. Os adereços, assim, perdem o verdadeiro sentido, passando a possuir caráter negativo tanto para as classes mais baixas quanto para a própria sociedade, tornando-a refém de um status e da arte, do que era pra ser bom, isto é, do que veio pra agregar, ou deveria.
     Tal realidade atinge todos nós, sejam estudantes, arquitetos, designers, clientes, mas o importante é que estes pensamentos, mesmo já enraizados, não perdurem, pois já vão haver sempre discrepâncias que mistifiquem o que representa ou não valor, material ou simbólico, o que é melhor ou pior em qualquer meio. Para mim, como ainda estudante e futura profissional, unifico toda essa discussão, não evidenciando diferenças na arte, de preferencias pessoais ou classes, por opção e por acreditar que seja uma boa forma de aprendizado social.


Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Análise Cirurgia de Casas - Rodolfo Livingston

     Dentre as diversas atuações dos Arquitetos e Urbanistas como projeto arquitetônico de casas e edifícios no geral, projetos de interiores, restauro, paisagismo e ainda o planejamento urbano estão as chamadas reformas. Sim, reformas também é arquitetura. Apesar do papel do profissional hoje ainda não ser considerado algo imprescindível em uma obra, ou nesse caso em uma reforma, ele existe, e quando não é utilizado há uma grande presença de erros e uma consequente perda de tempo e dinheiro. Pode ser devido a essa demanda, devido a frustração de sermos moldados na faculdade a projetar monumentos e na vida prática isso pertencer somente a poucos, devido a não aprendermos sobre na mesma, e ainda, devido a especulação imobiliária trazida pela produção em massa inserindo os usuários no âmbito das moradias padrão, que estranha-se o fato das reformas serem o foco de trabalho de alguns arquitetos. 
     Transformar um espaço já existente não é o mesmo que começar uma obra do zero, é carregar consigo vivencias e sentimentos a fim de uma solução rápida, econômica e de mudanças significativas. É outro conceito de arquitetura, é a arquitetura como serviço. Já para o cliente, quando "se reforma" é como se sua vida melhorasse a partir de um espaço, uma nova casa que em que torne a vida muito mais agradável. Tudo que inclua a criação, transformação e revitalização de um espaço com a devida presença do profissional de arquitetura passa a ser um espaço arquitetônico e as reformas, também chamadas de cirurgia de casas, é umas delas. 
     Em certos casos, as reformas são as primeiras opções de um cliente no momento em que se deseja mudanças pontuais em algo que já existe, então por que a falta de profissionais na área? Há uma inconsistência nesse aspecto, talvez se resuma pelo próprio desafio de adaptar em vez de criar, pois o novo é cômodo, não se limita a quatro paredes. Mas esse não seria o diferencial da profissão? Arquitetura é sinônimo de flexibilidade da mesma forma que é sinônimo de inovação, e um espaço pode não ter o mesmo uso para sempre.



Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Análise O homem ao lado - Rem Koolhaas



     A relação de um arquiteto designer de mente fraca e inseguro com um homem de pensamento forte e cheio de si não terminou bem. Um choque de opostos. Até onde a lei de uso e ocupação do solo, o bom senso e a política da boa vizinhança interferem em uma reforma arquitetônica mesmo que em pequena escala? Cada uma à sua maneira. Bom senso é imprescindível em qualquer situação. A lei, em teoria, deve ser seguida de forma total pois ela existe, dentre outros motivos, para igualar os direitos e deveres de cada cidadão em uma mesma localidade. E por fim, a política da boa vizinhança se resume na própria relação que não aconteceu entre eles, ou aconteceu, se considerarmos de uma parte apenas.
     Abrir uma janela com vista para a casa do vizinho é um problema, abrir uma janela com vista para a casa do vizinho que foi projetada por Le Corbusier são dois problemas, e ainda, abrir uma janela com vista para a casa do vizinho projetada por Le Corbusier e que seja de propriedade de pessoas individualistas são três problemas. O filme vai muito além da arquitetura em si, nos instigando a pensar também em toda a psicologia que está por trás da mesma, principalmente quando há mais pessoas envolvidas.
     Os principais problemas, isoladamente, remetem ao que hoje acontece com muita frequência, certas reformas feitas sem supervisão técnica e por isso irregulares, que quando realizadas em uma casa autoral fortalece ainda mais o caos. Casas como essa, a única obra de Le Corbusier feita na América, são de grande notoriedade turística, o que ao mesmo tempo se torna negativo por seu conceito de projeto ultrapassar medidas básicas de segurança e a tal janela criada ultrapassar os limites básicos de privacidade.
     Reforma irregular, conceito acima de segurança e invasão de privacidade são comuns quando se trata de “arquitetura”. Transtornos que atingem toda a população, seja abastada ou não. As favelas, projetos que precisem de alarmes a favor da segurança e projetos que não respeitem a lei ou ao próximo por um bem próprio são exemplos do hoje. Ao priorizar a estética ou o erro em seus extremos, necessariamente o uso ficará prejudicado de alguma forma, e a resolução entre os conflitos, por sua vez, é uma das maiores tarefas do arquiteto ao projetar uma obra não deficiente. 



Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Análise do artigo "Arquiteto sempre tem conceito, esse é o problema"

 
     O que disse? Sempre temos conceito? O que isso quer dizer? Eu, como estudante de Arquitetura e Urbanismo, tenho para mim que significa sempre colocar um contexto maior e abstrato em tudo que criamos, mesmo que seja um contexto só nosso, como provavelmente é.
    Há quem diga que o conceito é necessário, há quem diga que não, seria óbvio se tais afirmações viessem de um arquiteto e de um cliente respectivamente? Infelizmente sim. Situação essa, muito comum nos dias de hoje, de um lado estão os arquitetos tidos como Deuses e assim com um "questionável" dom da criação adquirido, e do outro seus clientes, pessoas que levam seus sonhos e expectativas a fim de sua concretização em forma de projeto arquitetônico, seja de uma casa popular ou uma mansão, mas que seja de seu gosto.
     Diferente do arquiteto Le Corbusier ao trazer as chamadas "casas em série" pensando que todas as pessoas possuem as mesmas necessidades, e da tradicional arquitetura como obra de arte, há uma notória demanda para soluções que se baseiem verdadeiramente no desejo de cada cliente. Em outras palavras, acontece um certo equívoco arquitetônico, o que deveria ser prioridade passa a ser secundário, o conceito criado pelo arquiteto se sobressai as vontades do cliente e tais fatores, consequentemente, levam a grande parte das demandas, agora populares, serem produzidas pelos mesmos traduzindo o tema da autoprodução e ela, por sua vez, acontece em meio a decisões e conhecimentos dos próprios usuários e mão de obra, ou seja, nada é planejado.
     Dizer que existem divergências entre a prática tradicional de projetar e a autoprodução é dizer o mínimo, tanto que a última, segundo certos autores, nem considerada arquitetura é. Entretanto, a culpa por tais divergências não pode ser atribuída ao contratado nem muito menos ao contratante, nós estudantes somos ensinados assim. Nós somos designados a criar espaços arquitetônicos que nada valem se não existir um “conceito” apesar da maioria das nossas próprias expectativas não se submeterem a ele, pois se tornou hoje uma espécie de luxo, algo que não é fundamental e por isso, valorizado por poucos.
     Em contrapartida, no momento em que deixamos prevalecer a nossa vontade em cima da vontade de nossos clientes está errado. De que adianta o significado que damos ao projeto se ele não satisfazer o maior interessado? De um certo modo, o que poderia ser a individualidade do projeto, ou até mesmo, o que faria a concepção arquitetônica se tornar única, mas ao mesmo tempo distante do desejo do cliente deixa de ser conceito para mim, é realmente um problema. Uma coisa não exclui a outra, a identidade e a singularidade podem vir de ambas as partes.
     Então concluímos assim, um equilíbrio entre conceito projetual e o sonho de uma moradia, o respeito ao trabalho do arquiteto e o respeito aos desejos do cliente, e por fim, práticas mais adequadas a demandas mais populares. Apesar de todas as barreiras até então estabelecidas para uma proposta como essa dar certo, que o objetivo, enfim, seja comum. Uma melhor arquitetura para todos em um âmbito social e justo que independa das hierarquias e do capitalismo. Capitalismo de massa que vem também polarizando e hierarquizando os dois lados da moeda.


Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Arquitetura e Urbanismo - UFOP

Aula 15/05/17

 
     A princípio minha maior expectativa era estudar Arquitetura e Urbanismo em todas as suas esferas, ou seja, poder criar tudo que faça parte da construção civil, desde residências a estradas. Entretanto, conhecendo melhor o curso e ao mesmo tempo me conhecendo melhor, realizar projetos de muitos tipos, se não de todos, mas focados na minha própria área me satisfaria, me faria realizada. E hoje, ter um vasto conhecimento desde o projetar propriamente dito até ter a capacidade de cuidar também da parte estrutural é a nossa realidade, tanto quanto na urbana.
    Em nosso curso, temos a vantagem de se realizar na grande Escola de Minas e consequentemente termos uma boa bagagem no âmbito da Engenharia e de Construções Metálicas, mas o que da mesma forma nos traz uma certa defasagem do âmbito do design, da arte. Característica da qual sinto mais falta. O curso de Arquitetura e Urbanismo é multidisciplinar, estudamos História da Arte, Cálculo, Projetos Arquitetônicos, Dimensionamento de estruturas em inúmeros materiais, mas ainda falta um pouco de incentivo nas partes gráficas que são extremamente necessárias como softwares e mesmo o conhecimento deles juntamente com o design, além do básico que se tem nas disciplinas de Projeto.
     No oitavo período começam a surgir dúvidas e inseguranças que antes não existiam, ou que talvez ainda não pensávamos como conseguir um bom estágio e assim poder aprender além da sala de aula ou até mesmo colocá-la em prática, como sair com uma formação completa, como me inserir no mercado de trabalho, e para ele, estar segura comigo mesma.


Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP