Conforme evidenciado na atualidade e nos textos referidos, palavras como alta costura e alta cultura tornaram-se sinônimos de arquitetura de alto escalão, para "ricos", termo este que se relaciona apenas a questão financeira. Portanto, o que na moda hoje é chamado de alta costura é, da mesma forma, alta cultura e consequentemente arquitetura de alto escalão, um significado leva ao outro, visto que as pessoas das quais usufrem da moda de alta costura, usufruem pois possuem alta cultura, como a arquitetura, quem possui alta cultura faz jus a arquitetura "rica", necessitado-a. Apesar de que padrões como estes deveriam não mais existirem ou serem ultrapassados, não são.
Dentro deste âmbito, é possível perceber como tem poder simbólico para a sociedade alguns adereços, sejam de moda ou arquitetura, os associam a uma arte segregadora, e a mesma, a somente aquela da qual podem colocar um preço. Os adereços, assim, perdem o verdadeiro sentido, passando a possuir caráter negativo tanto para as classes mais baixas quanto para a própria sociedade, tornando-a refém de um status e da arte, do que era pra ser bom, isto é, do que veio pra agregar, ou deveria.
Tal realidade atinge todos nós, sejam estudantes, arquitetos, designers, clientes, mas o importante é que estes pensamentos, mesmo já enraizados, não perdurem, pois já vão haver sempre discrepâncias que mistifiquem o que representa ou não valor, material ou simbólico, o que é melhor ou pior em qualquer meio. Para mim, como ainda estudante e futura profissional, unifico toda essa discussão, não evidenciando diferenças na arte, de preferencias pessoais ou classes, por opção e por acreditar que seja uma boa forma de aprendizado social.
Ísis Oliveira Teixeira
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
UFOP